Pelo Recife, bastidores da vitória de Obama
Publico a primeira página do Diario de Pernambuco da última quarta-feira, antes que o jornal tire do ar e fique inacessível. Daqui a pouco completa uma semana e ainda não me decidi se gostei ou não da capa. Disseram que tem um quê de poesia. Mas também achei que tem algo de macabro, tipo aquele clipe Thriller do Michael Jackson, nas cenas finais no cemitério, com os zumbis e a lua.
Como a apuração dos votos ocorreu durante a noite e entrou pela madrugada, a maioria dos jornais comeu poeira. No Diario, foi uma novela convencer o povo a segurar o fechamento por uma hora adicional. O ideal seria segurar ao menos a segunda edição até 2h a 2h30 da quarta-feira, mas seguraram apenas até 1h30 da manhã da quarta-feira. Foi o suficiente para declarar a vitória do Obrahma.
A produção da matéria de capa foi curiosa. Saí do jornal à noite e fui até o ABA, onde o Consulado Americano no Recife montou um esquema todo estiloso para acompanhar a apuração ao vivo, pela CNN, e comentar a contagem com a presença do cônsul dos EUA, a adida de diplomacia pública e dois cientistas políticos (Thales Castro e André Regis).
Curiosamente, quando chego lá, não tem ninguém da imprensa de Pernambuco. Tinha uma estrutura toda montada para a imprensa, inclusive, com dois notebooks conectado à internet. Aparentemente, o pessoal preferiu acompanhar da redação, não sei. Levei o meu notebook mesmo, porque preferi pegar emprestado o modem 3G da Claro com a equipe de fotografia do Diario para poder mandei a matéria lá do ABA mesmo. Na hora do fechamento, por volta de 1h da manhã, foi só clicar no SEND do Gmail e pimba. Ainda fiquei no ABA até 2h para ter certeza. Fui dormir às 5h da manhã para ver se não haveria recontagem ou coisa pior, tipo aconteceu em 2000.
O dia seguinte também foi interessante, com um apurado sobre os principais desafios do Obrahma pelo mundo.
Foi uma experiência curiosa. E interessante, porque provou algumas teorias que tenho sobre como a imprensa local [não]funciona em situações adversas.